sexta-feira, 7 de maio de 2010

Corinthians do meu, do NOSSO coração!!


E DAÍ?

6 maio, 2010

Acabou. E acabou cedo, mais uma vez. Acabou precoce. E DAÍ? Existem coisas que deveriam continuar e acabam e existem coisas que deveriam acabar e continuam. No futebol é assim. Na vida é assim.
O que ficam são lições. Lições que teimam em nos ensinar, mesmo sem querer, todos os dias. E nós, torcedores limítrofes, fingimos não entender o que dizem nossos professores. Professores, não mestres. Estão muito longe de serem mestres.
Mas com o fim da Libertadores, acabaram-se as desculpas também. Nada agora é prioridade, a não ser entender essas lições. Quando nos falaram, no meio do ano passado, que o Campeonato Brasileiro não era prioridade, mas que a Libertadores era, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos disseram que tínhamos um planejamento, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos disseram que fulano era ídolo e que deveríamos apostar tudo nele, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos disseram que ciclano viria, trazendo com ele todo o dinheiro do mundo, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos prometeram mundos e fundos e depois trocaram o discurso, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos ofereceram business ao invés de bola, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos anunciaram que o ingresso triplicaria, quadruplicaria para pagar todo este circo, a gente já deveria ter aprendido. E negado. E rechaçado. E lembrado de toda a nossa história.
São cem anos de lições. E, muito provavelmente, não levantaremos nenhum caneco para coroar isso. Mas nunca precisamos. Nunca. Não nestes cem anos. Não existe nenhum ouro, prata ou bronze que brilhe mais do que a nossa história. Nem taça tão grande que nos seja digna de trocarmos o que os cinco operários do Bom Retiro começaram lá atrás, em 1910.
Quiseram dizer para a gente que Libertadores e Centenário eram sinônimos. Teve quem confundisse, mas nesta hora já deve ter percebido o equívoco. O Corinthians é maior do que a Libertadores. Muito maior. E maior do que qualquer campeonato, já conquistado ou não. Maior do que os seus 26 campeonatos paulistas somados, inclusive o de 1977. Maior do que os seus quatro campeonatos brasileiros, incluindo o de 1990. Maior do que o seu Mundial. Maior do que seu tricampeonato da Copa do Brasil. Maior do que todos os campeonatos que estão por vir. Porque eles só são parte de uma história.
Uma história de ditadura e democracia. De fila e de conquistas. De torcida grande e de torcida gigante. De patrões e operários. De sanguessugas e de gente que dá o sangue. De desgraça e de alegria. De gol de placa e de pisada na bola. De altos e baixos. De dinheiro e de dureza. De preto e de branco.
História feita por Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia. Por Rebolo, Sócrates, Joca, Edmar, Zinho, Tuquinha, Pulguinha, Leonor, Rafael, Madalena, Arethuza, Kazuo, Edson, Turco, Paulo, Zé, Thiago, Neco, Neto, Juliana, Thiago, Mariane, Maria, Bruna, Thaís, Wladimir, Donato, Basílio, Baltazar, Mineiro, Ado, Tobias, Rodrigo, Justino, Edvaldo, Gleison, Flávia, Kayan, Yvan, Inaté, Anderson, Augusto, Diego, Fabrício, Mário, Tico, Luciano, Claudinei, Roneibo, Douglas, Pantcho, André, Thaís, Débora, Eduardo, Tonhão, Monga, Ninja, Olivetto, Domingos, Juca, Daniel, Danilo, Marcelo, Geléia, Paracatá, Batata, Denílson, Roberto, Márcio, Waleska, Tatiana, Tamara, Keisy, Fábio, Silvio, Aline, Dentinho, Christian, Ronaldo Giovanelli, Baltazar, Geraldão, Vinicius, Paula, Priscila, Camila, Sarah, David, Alexandre, Bruno, Tupãzinho, Karol, Luzia, Marcela, Marcelo, Fátima, Elaine, Geni, Elisa, Dirce, Flávio, Júlio. Por outras 30 milhões de pessoas. História de uma nação.
Eu espero que dessa vez a gente tenha aprendido algumas lições. A primeira delas é a da grandeza do Corinthians. Nós somos gigantes. A outra é de que a Libertadores não é o Centenário. E a de que a conquista da Libertadores só terá toda essa importância quando couber na nossa história. Quando for digna de fazer parte de todas as nossas outras conquistas. Quando for suada, na raça, com gente honrando a nossa camisa PRETA e BRANCA. Com dinheiro suado, apertado, mas justo. Sem que a gente precise sacrificar metade do nosso orçamento familiar para fazer parte da festa. Sem que a gente precise soltar fogos de artifício aos borbotões no primeiro jogo como se fosse o último. Quando a gente parar de tratá-la como obrigação, como se fosse a última coisa que a gente tem para fazer nesta vida. A nossa obrigação é outra. É honrar a nossa ideologia. O nosso hino, o nosso emblema, a nossa tradição. Os nossos fundadores. Os nossos ídolos. Os verdadeiros, não os falsos. A nossa torcida.
Quando a gente disser não para esta história de futebol moderno. Porque se tudo o que a gente viu for a tendência do futebol moderno, então eu espero que o Corinthians pare no tempo. Que se enraíze nos seus 100 anos e fique. Que a gente ignore solenemente o exemplo do tal primeiro mundo, que a gente não tente transformar o nosso futebol no modelo europeu. Antes que o nosso ingresso seja cobrado em euros e a gente continue recebendo o nosso salário em reais. Antes que o futebol seja território somente de patrões, empresários e executivos pernas de pau e a gente ignore nosso povo também motoboy, pedreiro, operário, servente, manicure, faxineiro, empregado, trabalhador. Antes que o futebol seja feito para europeus enquanto a gente continue aqui, brasileiríssimos.
Por Leonor Macedo http://eneaotil.wordpress.com/2010/05/06/e-dai/
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A manhã de 6 de maio...
Aquele gosto amargo de saliva acúmulada no canto da boca junto com aquela tensão atrás dos olhos que parecem que iam saltar a face são seguidos de uma tristeza imensa ao perceber o que aconteceu...
...novamente o Corinthians, o time do povão (e meu também), foi eliminado da Copa Libertadores.

Talvez precocemente, injustamente, sei lá...
...mas o fato é que fomos eliminados: sim todos nós do clube, da torcida, jogadores caimos fora.

A incrível e incomparável capacide de mobilizarmos corações e sentimentos é novamente subjulgada pelo fracasso na Competição que mais almejamos nos últimos 15 anos. Vale lembrar que o maior campeonato do universo, o Paulista de 77, nós já conquistamos.
Este gosto de frustação enlatada misturado com os buzinassos de nossos rivais (os palmeirenses), brados do futebol arte (os santistas) e a euforia histérica delas são de desanimar.

Me despeço, vou embora: no caminho de casa vou vendo corinthianos, que como eu, em sua maioria estão barangãdans. Uns poucos furiosos, promovem quebra-quebras, mas esses poucos fazem isso na vitória de time de curlling também. Outros tantos vão encontrar em 572 cervejas a saída momentãnea desta frustação.

Chego em casa, tomo um banho e dou uma olhada em uma camisa preta do Corinthians que está no mancebo. Meio judiada, tá ela ali, quieta. Durmo como um rinoceronte abatido...
...dia 06 de maio clareia: despertador chato, chinelos, escova de dentes e barba: rito pré ducha. Volto ao quarto e olho a camisa preta... sabe de uma coisa?

ELA CONTINUA ALI, SIMPLES COMO O PRETO E O BRANCO, IMPOSSÍVEL COMO O SÍMBOLO E FRANCA COMO O AMOR.

Uma euforia me toma de assalto:

- separo uma camisa social: preta
- separo um terno: preto (meias, cinto e sapato também)
- ...coloco uma gravata azul e paro.

Como um reflexo muscular, grito sozinho no quarto: É CORINTHIANS, PORRA!
Arranco a gravata azul e coloco uma preta, completamente preta. Grito de novo: É PRETO E BRANCO, PORRA!

Levo a cachorra passear, dou comida para ela, saio com o carro e vou para o trabalho com a rapidez do Mirandinha.

Quando lá chego, sou seletivo: dou um forte abraço em todos os corinthianos, ligo para diversos deles só para falar que eu sou como eles: CORINTHIANO, MALOQUEIRO E SOFREDOR!

...todos entendem, afinal "só quem é, é".

Na hora do almoço encontro diversas pessoas com a camisa do Timão, andando um pouco acanhadas, mas sem medo: para todos falo - É CORINTHIANS!

...percebo como é constrangedor este tipo de comportamento para quem não é corinthiano, é algo que chega a dar medo nos outros... IMPAGÁVEL ISSO!

...e digo: NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO. Estou cagando para tudo e todos, sou CORINTHIANS!

...domingo, dia 9 de maio, tem jogo. Pronto, resolvido.

Um abraço na alma dos alvinegros do Parque São Jorge.

Por Lelo, meu querido irmão de sangue e de time, a quem devo um pouco desse louco, estranho e inexplicável amor por algo que nada nos dá em troca além de alegrias, tristezas, emoções e expectativas: SPORT CLUBE CORINTHIANS PAULISTA.
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Obrigada Senhor por isso. Amo MUITO (e sempre amarei) TUDO isso!! Só quem é, é!!!

2 comentários:

  1. Fui dormir chorando... uma choro silencioso, de dor.
    Morar em Santos nessas horas é horrível...
    No dia seguinte, logo às 6h da manhã, dei de cara com o flamenguista que pega fretado para SP comigo (o único que conheço que poderia dizer algo), mas ele apenas sorriu amarelo, me abraçou e disse: "no ano do centenário é fod*, eu já passei por isso."
    No escritório, bambis que na noite anterior tinham se classificado num jogo medíocre, liam diversos emails em voz alta, gargalhavam e cantavam musiquinhas... até símbolo do flamengo colocaram no skype.
    Resposta aos emails? Todos: "Na vitória ou na derrota, sou CORINTIANA até morrer."
    Ao longo do dia fui acalmando meu coração. O São Paulo se classificou e saiu vaiado. O Corinthians foi eliminado e saiu aplaudido. Isso é o que separa a NAÇÃO do resto que se acham torcedores.
    Somos muito mais que isso. O mundo não acabou, a vida não parou... o Brasileirão taí.
    Ninguém jamais saberá o que é ser corintiano...

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  2. She, eu tive a infelicidade de no dia do jogo ser "convocada" pra trabalhar no RJ...imagina? Ainda bem q não teve nada de fogos durante a noite, apesar de achar estranhíssimo, achei ótimo!! O pessoal de lá nem zoou comigo...mas sinceramente sorte deles, pq como não zoo ninguém quando acontece parecido com outros times, não admito que o façam com o meu. Realmente só nós sabemos o que nosso time significa para nós, que bom!!!
    bjks

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