quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Corinthians! por meu irmão querido, Lelo.


Sabe o que eu me lembro?

Me lembro de ir junto com o meu pai na casa de seus amigos (Fernando e Foia) e junto com meu tio Luizinho para um estranho ritual: sofrer assistindo os jogos do Corinthians...

...era muito engraçado ver todos sofrendo, xingando e tudo mais: não entendia direito.

Lembro que tinha um cabeludo estranho no time: seu nome era Biro-Biro. Desde o começo comecei a ver que ele era um jogador diferente dos outros... corria muito, dava bons passes e errava um bocado de vezes...

...mas ele não desistia. Meu pai falava a plenos pulmões: "esse sim é jogador do Corinthians!"

Pensava: "Ué, ele não poderia ser jogador de qualquer clube? O que diferenciava ele?". E olha que eu curtia mais o Zenon jogando...

Não entendia direito essa coisa de garra e tudo mais. Até aí tudo bem, não sabia direito das coisas. E aquele time mágico do começo dos anos 80 era assim: tinhoso, marrento, mas que não desistia nunca.

Vieram os títulos de 82 e 83 e eu fiquei muito contente, mais pela felicidade do meu pai, do meu tio e de seus amigos do que por mim mesmo. Usava a camisa preta do Corinthians sempre que jogava bola e, sinceramente, pouca gente usava camisas de clubes naquela época. Na verdade eu não percebia direito isso, era normal para mim.

Tudo mudou para mim quando fui "ao Campo" (meu pai fala assim): entrei no estádio a primeira vez (Pacaembu), vi as bandeiras e senti o grito da torcida: foi uma coisa única, única mesmo. Uma interminável quantidade de coisas evaporou da minha cabeça e passei a fazer parte daquilo, fazer parte do Corinthians. O ápice disso tudo foi o Campeonato Brasileiro de 1990.

Posso falar que me tornei um torcedor de verdade: me tornei corinthiano, já que todo corinthiano é fanático.

De lá pra cá atravessei diversos estados de espírito em minha vida, muita coisa aconteceu. Mas uma coisa não mudou do dia que fui "ao Campo": aqui é Corinthians, porra!!!

Não vou discorrer muito sobre o assunto: só quem é sabe.

Ontem fui ao Anhangabaú para fazer parte deste breve momento: 100 anos... foi bacana, mas era um espetáculo esperado. Mas hoje, ao chegar aqui na Empresa e cumprimentar o motoboy Luciano eu realmente fiquei emocionado. Eu o admiro como corinthiano encardido que ele é e ele (13 anos mais novo do que eu) me admira pelo corinthiano que eu sou.
Nada a ver com títulos, resultados e demais: é o lance da torcida, de usar camisa no dia depois que perde, de gritar até perder a voz quando o time está na lama, de literalmente desconsiderar acompanhantes de outros times, já que não existe outra torcida: só a do Corinthians.

Estou prestes a me tornar pai e espero que o nenê venha com muita saúde e que ele (ou ela, tanto faz) possa desfrutar desta incrível maneira de ver o mundo e as coisas como um corinthiano as vê: um mundo inexplicável, que só dá para sentir...

Vai Corinthians, VAI, não para de lutar...

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