terça-feira, 16 de abril de 2013

O vazio em cada "Like"

O vazio em cada ‘Like’

 
No Facebook e no Instagram acompanhamos o registro de vários acontecimentos na vida dos nossos contatos: festas incríveis, livros de cabeceira ‘cabeçudos’, drinks e jantares elaborados, janelas de avião, céu azul na praia, piqueniques, risadas. No Foursquare também estão registradas as passagens por alguma galeria de arte incrível, aeroportos internacionais ou festas VIP. Por que tudo isso?
As mídias sociais criaram uma silenciosa e acirrada disputa entre as pessoas para mostrar quem aparenta ter a vida mais bacana. Pensamos que estamos felizes com o que temos até nos depararmos com um update na rede social que sussurra o contrário: você poderia ser mais interessante. Não para você, claro, mas para os outros. De que adianta ser feliz sem platéia? Compartilhar um ideal de vida é a cauda de pavão virtual – e nem sempre corresponde à realidade.



Tudo isso reflete traços profundos emocionais e psicológicos em cada um de nós, interferindo na nossa auto-imagem, auto-estima e também na forma como nos relacionamos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Dessa forma, existe a necessidade de aceitação.
Um estudo australiano afirmou que o Facebook alimenta a necessidade de auto-promoção de usuários com característica mais narcisista e extrovertida. Ao mesmo tempo, são os solitários que gastam mais tempo na rede social, como uma forma de interagirem com o mundo. Receber um comentário em um post estimula a auto-estima e também pode aliviar uma solidão. As pessoas esperam ler o quanto ficaram bonitas na nova foto do perfil, como é lindo o lugar em que passaram as férias, ou como elas possuem bom gosto musical.
Porém, na era do imediatismo provido pela mobilidade, cria-se uma angústia e ansiedade por feedbacks – estes que vem em forma de ‘likes’ e comentários. Muito mais que um narcisismo, é a carência e a necessidade de pertencimento. Números que vão crescendo. Refresh. Mais likes. A quantidade torna-se maior que a qualidade, como pequenas manifestações de interesse que tentam preencher algum vazio. Tudo é quantificável.


Pensando em todos estes números angustiantes, o estudante de Novas Mídias da Universidade de Illinois, Benjamin Grosser, desenvolveu o Facebook Demetricator: uma ferramenta que remove os números do seu Facebook. Ao invés de mencionar a quantidade de ‘Likes’, como “7 pessoas curtiram isso”, a ferramenta substitui por “pessoas curtiram isso”. E também não mostra mais quantos amigos a pessoa tem, ela simplesmente tem amigos.
Mais do que canais e aplicativos, as mídias sociais são responsáveis por um novo comportamento social. As emoções humanas foram afetadas muito além do que se imaginaria. Hoje lidamos com quatro grandes esferas emocionais: a exaltação do ego, a necessidade de auto-afirmação, a sensação de pertencimento e a sensação de obrigação. Com isso, vários sentimentos são desenvolvidos de maneira única e desproporcional: frustração, orgulho, inveja, raiva, arrogância, ansiedade, alegria, curiosidade, etc.



Neste domingo teve o encerramento do Mesa & Cadeira 8, cujo líder era o artista holandês Rafael Rozendaal. O propósito era investigar os conceitos de tempo e espaço na internet. Como resultado, foram criados três sites conceituais que traduzem muito do que falei aqui:
iwannabealone.com é uma rede anti-social: ironicamente, um site para ser acessado quando desejar ficar completamente sozinho. Claro, vale também tirar os olhos da tela por alguns minutos e caminhar.
inthewailtingline.com é um site que subverte o imediatismo e onipresença da nossa era, com conteúdos online que podem ser acessados por diversas pessoas ao mesmo tempo. Na página, você é obrigado a entrar em uma fila e esperar pacientemente pela sua vez para acessar o conteúdo.
Por fim, o feelthejoyofmissingout.com questiona nossa culpa e obrigação em sempre fazer algo “útil”.
É duro admitir, mas não é difícil nos enxergar nestes papéis. Eu mesma assumo que estarei aqui, aguardando ansiosamente cada ‘curtida’ e comentário deste post.

Texto retirado daqui, ó!!

2 comentários:

  1. Adorei o post!!!

    Sabe Flá eu saí do facebook por algumas dessas razões... Eu conheci gente boa demais na net (como você, por exemplo), mas tem outros lados tb!!!

    "De que adianta ser feliz sem platéia?" Essa ideia me bateu há algum tempo e desde então venho pensando se deveria largar ou não o facebook, onde eu mais passava tempo.

    A necessidade de ver o que estava se passando, de curiar, de falar foi me incomodando a tal ponto que saí, sem analisar muito mais rsrsr

    "Muito mais que um narcisismo, é a carência e a necessidade de pertencimento" - a rede social também me subverteu nisso... Credo, não era eu!

    Eu estou aliviada hoje.... Eu acredito que eu volte para o face, não hoje, não por enquanto... Mas quero me sentir livre rsrs

    bjão!

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    Respostas
    1. Panzinha,
      eu também dei um belo tempo do Facebook, fiz jejum e tal, e hoje me sinto melhor, não fico mais esperando aprovação, sabe?!
      Mas algumas coisas ainda me incomodam, com certeza.
      E acho que a sua atitude foi sábia e corajosa, sim, porque eu ainda não tenho essa coragem.
      Mas por outro lado sei que, se eu me sentir muito incomodada, também vou partir de lá, assim como fiz com o orkut...vamos ver.
      Um grande beijo

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